Desmatamento da Mata Atlântica



Desmatamento da Mata Atlântica
HISTÓRIA DO DESMATAMENTO

1) Pau-brasil

A Mata Atlântica é o mais extenso bioma presente no território brasileiro: cobre a área que vai do sul ao nordeste do Brasil, mas hoje só existe o equivalente a 7% de sua floresta original.
 
O desmatamento da Mata Atlântica começou com a história do Brasil. Já na colonização, os portugueses extraíam o pau-brasil, uma árvore de coloração avermelhada da qual retiravam um corante muito apreciado na Europa.

O pau-brasil tornou-se, assim, o primeiro produto de exploração para a Coroa Portuguesa e como o corante que se fazia, derivado dessa árvore, tinha muito valor no mercado, a extração continuou por muito tempo desenfreadamente. Ela se concretizava usando a mão-de-obra indígena, que trabalhava em troca de objetos banais como espelhos e ferramentas.

Como nessa época não havia nenhuma preocupação com a questão de preservar nada, o pau-brasil, que é uma árvore que demora muito para se desenvolver (cerca de 150 anos),foi quase extinto, diminuindo consideravelmente no litoral brasileiro, onde se concentrava a maior parte da sua exploração.

2)Cultivo de cana-de-açúcar

cana-de-açúcarNa região nordeste do Brasil, depois que o pau-brasil se extinguiu e não havia mais nenhuma fonte de sobrevivência por parte da população, veio instituir-se a plantação de cana-de-açúcar. Para fazê-lo, foi preciso desflorestar grandes áreas para dar lugar aos latifúndios de monocultura.
 
O açúcar produzido era destinado ao mercado externo, mais precisamente para atender a Europa. Os longos períodos de monocultura contribuíram para a redução da fertilidade do solo.

3) Plantação de Café

Em certo estágio, o café ganhou espaço no cenário econômico brasileiro, mas dessa vez na região sudeste do país. Então, as plantações de café ocupariam mais territórios pertencentes à Mata Atlântica, que veio abaixo ainda no século XIX.

4) Urbanização

O crescimento desordenado das cidades e a industrialização, principalmente no sudeste do país, também contribuíram para o desmatamento de uma parte da Mata Atlântica. No fim do século XX, a Mata ocupava pequenos espaços fragmentados dentro do território brasileiro, inclusive dentro de perímetros urbanos.

CONSEQUÊNCIAS DO DESMATAMENTO
 
 

mapa mata atlantica.jpg
 
 Fonte:AMDA
 
A exploração econômica sem preocupação sustentável fragmentou a Mata Atlântica, extingui muitas espécies e deixou outras milhares ameaçadas de desaparecimento. Isso prejudica a biodiversidade, contribui para enfraquecimento do solo e influencia a qualidade das águas dos rios e mananciais.

A ciência também se prejudica porque muitas espécies animais e vegetais acabam extintas antes de serem sequer conhecidas e catalogadas. As perdas são ainda maiores quando as espécies são endêmicas, isto é, quando elas existem só em determinada região. É o caso do mico-leão-dourado, ameaçado de extinção, nesses casos as perdas são irreparáveis.
Influencia também as relações ambientais, enfraquecendo-as.

A maior consequência do desmatamento, no entanto, é a drástica redução do território de uma das mais importantes florestas tropicais, principalmente porque os menos de 10% restantes estão espalhados por dezessete estados brasileiros, prejudicando os microclimas e contribuindo para o aquecimento global. 

O fato da industrialização e consequente urbanização ter acontecido em uma região muito concentrada, originalmente de Mata Atlântica, fez da má utilização dos recursos hídricos algo muito comum, o que traz problemas de escassez. Já a poluição pode acarretar assoreamentos em rios e cursos d'água, provocando o desaparecimento de alguns mananciais que podem prejudicar a vida que depende dessas águas, incluindo a humana.

PRESERVAÇÃO

planta da mata.jpgA Mata Atlântica foi considerada, na Constituição Federal de 88, patrimônio nacional; por isso, é possível ver por parte do Estado iniciativas para conservar os territórios que ainda não foram derrubados. Muitas dessas áreas se encontram dentro de cidades e são consideradas regiões de preservação ambiental.
 
Mas, na prática, muitas vezes, a situação é diferente, segundo estudos do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) divulgados no ano de 2004: em um intervalo de quatro minutos, uma área da Mata Atlântica correspondente a um campo de futebol é desmatada. Ou seja, existem leis que visam proteger; no entanto, a fiscalização ainda é fraca, há muitas brechas que permitem que o desmatamento continue acontecendo.

A preservação pode evitar as mudanças climáticas decorrentes da derrubada das árvores, que são responsáveis por mais da metade da umidade do ar nas regiões ao redor das florestas. Portanto, a remoção da cobertura vegetal pode gerar grandes períodos de seca, superaquecimento e morte das matérias orgânicas responsáveis pela fertilidade do solo.

Além disso, ainda tem de se pensar na biodiversidade, nas centenas de espécies que precisam ser conservadas para que não desapareçam. Muitos vegetais podem ajudar a ciência por causa de suas propriedades medicinais, há ainda as espécies endêmicas (bromélias, orquídeas, mico-leão-dourado, morcego branco etc.) que precisam ser cuidadas, pois só existem na Mata Atlântica.

Depois do grande evento ambiental que ocorreu no Rio de Janeiro em 1992, a ECO/92, algumas organizações ambientais chamaram a  atenção da sociedade para a importância de se preservar a Mata Atlântica e acabar com os desmatamentos ilegais que ameaçam a vida na floresta e o futuro da natureza.

cachoeiraExiste uma lei que regulamenta e atesta a necessidade de manutenção e recuperação da floresta, tanto fauna e flora quanto recursos hídricos. A referida lei é a de nº 11.428, de 22 de dezembro de 2006, que prevê a preservação da mata mediante atividades econômicas sustentáveis, o estímulo à pesquisa, formação de projetos que conscientizem a opinião pública quanto ao equilíbrio ecológico e que não permita o crescimento desordenado das áreas urbanas e rurais.

O grande objetivo da preservação; portanto, é a a sustentabilidade, isto é, o desenvolvimento econômico que seja aliado da natureza e não seu inimigo.
 



Site desenvolvido por KERDNA Produção Editorial LTDA