Mapa Desmatamento CerradoO cerrado é um dos maiores biomas do território nacional. Localizado no centro do Brasil, é também o mais desmatado: hoje, restam apenas 20% da vegetação original. Entre outras causas da devastação, pode-se citar a agropecuária, principalmente a plantação de soja, que é direcionada para o mercado externo e tem ocupado grandes territórios originais do cerrado.

Além disso, o homem desmata-o para outros fins, como pastagens, para construção e aumento das áreas urbanas e mineração. A falta de cuidado, então, transforma o cerrado todos os dias. O nível de desmatamento é tão alarmante que há uma previsão, feita por pesquisadores da CI-Brasil (Conservação Internacional-Brasil), de que o cerrado possa desaparecer até 2030.

Infelizmente, o cerrado não tem a mesma atenção dos outros biomas. A Constituição Federal de 1988 não o inclui como um dos patrimônios nacionais a serem preservados. A falta de um plano que impeça a tomada do cerrado para produção agrícola, minério de carvão e pecuária tornou esse bioma mais desmatado que a Floresta Amazônica entre os anos de 2002 e 2008. FONTE: Conservação Internacional Brasil (CI)

PRODUÇÃO DE CARVÃO

As árvores do cerrado são a fonte de energia para milhares de empresas siderúrgicas brasileiras. Estima-se que, todos os dias, aproximadamente 1000 caminhões de carvão sejam abastecidos para serem vendidos para o resto do país.

O fator que contribui para tamanha preferência pelas árvores do cerrado é o valor. Elas são muito mais baratas que outras de ecossistemas diferentes. O ipê é uma espécie muito explorada para ser transformada em carvão, pois não queima muito rápido, é uma madeira dura e de baixo preço.

Porém, fatores sociais também contribuem para esse preço abaixo da média. A mão de obra utilizada pelas carvoarias é desqualificada e barata, o que torna o produto muito cogitado dentro do mercado nacional.

A transformação da madeira em carvão contribui significativamente com a emissão dos gases de efeito estufa, afinal depois de derrubadas, as árvores são cortadas e queimadas nos fornos, emitindo milhares de poluentes. A utilização do carvão vegetal como fonte de energia, então, é extremamente danosa ao meio ambiente.

Quando uma determinada área é completamente devastada, ela é abandonada para que outra seja utilizada como fonte de produção para as carvoarias e esse ciclo vicioso é responsável pela destruição constante do bioma cerrado.

Para mudar essa realidade, já foi anunciado pelo Governo uma medida que obrigará algumas empresas a utilizar carvão vegetal de locais reflorestados, destinados a esse tipo de produção. Todas as companhias terão até 2013 para se adaptar a essa lei.

Com a divulgação dessa alternativa sustentável, o Ministério do Meio Ambiente prevê diminuir o desgaste do cerrado, a extinção de mais espécies nativas e a redução das taxas de emissão de gases poluentes, que prejudicam a imagem do Brasil no exterior.

QUEIMADAS NO CERRADO

O cerrado tem um tipo de vegetação típico de savanas, isto é, adaptado a pouca umidade e até mesmo a um ciclo de queimadas. Essa adaptação ocorreu com a evolução de milhões de anos a um clima seco que enfrenta-se entre os meses de junho e outubro, na região central do Brasil.

 Algumas características do bioma, tais como vegetação rasteira e árvores com cascas grossas, visam proteger as plantas dessa realidade, que é algo natural, inclusive as queimadas são comuns no cerrado, algumas vezes causadas por razões naturais. Porém, a ocupação humana mudou muito isso, até mesmo os ciclos de queimadas, tornando-as mais intensas e, por isso, igualmente prejudicada.

Queimada CerradoO solo, depois de muitas queimadas seguidas, começa a enfraquecer, a vegetação perde a capacidade de se desenvolver e tende a ser sempre rasteira. Com isso, muitas espécies de plantas se perdem, algumas que só se desenvolvem em certas regiões específicas do bioma nunca mais voltam a crescer e são extintas. Dessa forma, a cada queimada, a população de plantas diminui e os animais também sofrem: muitos não resistem e acabam morrendo.

Alguns produtores agrícolas usam o recurso da queimada para renovar o solo. Mas isso só ocorre em queimadas controladas, o que não é realidade, na maioria das vezes. Quando o fogo sai do controle e se o clima estiver muito seco, ele rapidamente se espalha, destruindo a vegetação e a vida dos animais que tem o cerrado como habitat.